UNIFICAR AS LUTAS PARA ENFRENTAR A CRISE ECONÔMICA E GARANTIR A DEMOCRACIA NA UNIVERSIDADE!

CONFIRA O RESUMO DA TESE DO TRAVESSIA UNICAMP PARA O XIV CONGRESSO DO STU, QUE ACONTECE ENTRE 23 E 25 DE ABRIL.

Entre os dias 23 e 25 de abril de 2025, acontece o XIV Congresso do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), momento de extrema importância em que técnicas e técnicos administrativos da Universidade têm a oportunidade de decidir os rumos da nossa entidade e da nossa luta. Nesta última década, muitas mudanças ocorreram no Brasil e nas universidades públicas, impactando diretamente a vida das brasileiras(os). O Travessia Unicamp, que compõe o coletivo sindical e popular Travessia Nacional, que integra a direção nacional da Fasubra, preparou uma tese com propostas a serem debatidas com a categoria, levando em consideração os desafios que estão postos diante da atual conjuntura de crise econômica, política e ambiental em nosso país e no mundo.

Para o Travessia Unicamp, uma das prioridades nos próximos anos é recuperar a independência do STU frente à reitoria, de modo a conquistar reivindicações históricas da nossa pauta específica, que vem sendo ignorada pela atual gestão, impedindo melhorias e avanços em nossos direitos. Nossas prioridades são: recuperar as perdas salariais desde maio de 2012 (14,8%); impedir a implantação do Ponto Eletrônico (PE) na Unicamp; construir uma carreira digna, que não acirre a competição entre trabalhadores(as), baseada no modelo proposto pelo STU/Fasubra; lutar pela redução da carga horária de trabalho, sem redução dos salários, e pela regulamentação do trabalho remoto; erradicar o assédio moral e outras formas de retaliação contra funcionários(as); garantir a extensão de benefícios aos aposentados(as); defender melhores condições de trabalho na Área de Saúde e o SUS; garantir o cumprimento da legislação para pessoas com deficiência na Unicamp; lutar pelos direitos dos terceirizados e pela abertura de concursos públicos; e ampliar nossa participação no Conselho Universitário (Consu) e demais colegiados, para termos uma Universidade efetivamente democrática.

A partir da conjuntura nacional e internacional, a tese do Travessia Unicamp quer discutir o papel do STU na construção de um novo modelo de universidade, que inclua e valorize o papel dos(as) técnicos(as) administrativos(as), cujo trabalho é imprescindível para o reconhecimento da Unicamp como uma das mais importantes universidades do país e da América Latina. Conheça nossas propostas, participe de nossas discussões e envie comentários e contribuições para nossa tese final pelo e-mail: unidadelutatravessia@gmail.com. Juntas(os) somos mais fortes: faça você também a Travessia!

UM MUNDO EM EBULIÇÃO

Há uma preocupante reestruturação da ordem mundial em curso, que evidencia o perigo da emergência de movimentos políticos conservadores e de direita em todos os continentes. O retorno de Trump ao poder intensifica a guerra comercial entre nações, através de bloqueios econômicos, perseguição a imigrantes, guerras pela apropriação de reservas naturais e graves retrocessos em direitos sociais, resultando num cenário de incertezas e recolonizações, que prenuncia a eminência de novos conflitos em escala global. Na América Latina, retrocessos como a eleição de Milei na Argentina reforçam a urgência de reorganização da esquerda e dos movimentos populares para o enfrentamento, nas ruas e nas urnas, das políticas burguesas, neoliberais e neofascistas.

IMPACTOS DA CRISE NO BRASIL

A recente queda da popularidade de Lula abre espaço para que a oposição conservadora ataque direitos e conquistas da classe trabalhadora, articulando reformas políticas e econômicas que são grande retrocesso para toda população brasileira. Acreditamos que o atual governo deve mudar o foco da política econômica, voltando seus esforços para o fim da escala 6×1, a taxação das grandes fortunas, a redução dos preços dos alimentos e dos combustíveis, e para a criação de um plano robusto de obras públicas e investimentos em educação, saúde, proteção ambiental e transição energética. Já em São Paulo, nada é tão ruim que não possa piorar: são quase 30 anos de governos tucanos e políticas reacionárias no Estado, que apesar de ser o mais rico do país, pelas mãos do bolsonarista Tarcísio de Freitas segue precarizando serviços públicos: redução de investimentos na educação (PEC n° 9/24); sucateamento do SUS; pacote de privatizações que prevê a entrega de patrimônio público na ordem de R$500 bilhões até 2026; ameaça de redução do financiamento das universidades estaduais com a reforma tributária; além dos impactos nefastos da reforma da previdência são apenas algumas das políticas que colocam como prioridade central para o funcionalismo e toda população paulista derrotar Tarcísio, o bolsonarismo e a direita no Estado.

UNIVERSIDADE SOB ATAQUE

A gestão de Marcelo Knobel (2017-2021) foi responsável por um período de grandes retrocessos para os servidores da Unicamp: congelamento de salários e benefícios, ampliação da terceirização, corte de GRs e implantação de um modelo de carreira PAEPE (injusto e competitivo) sem discussão com o sindicato e a categoria. Em contrapartida, Knobel conseguiu aumentar o salário de quem estava acima do teto, isto é, da casta de docentes e altos cargos da administração. Já a gestão de Tom Zé (2021-2025) revelou as mentiras contadas quando era candidato: em vez do prometido diálogo com as entidades e defesa da Universidade perante os ataques e cortes do governo estadual, entregou apenas descaso com os trabalhadores(as) da Unicamp (negando-se a sentar na mesa de negociação com o STU) e subserviência ao governador – e também ao Ministério Público (MP), quando abriu mão da autonomia universitária e aceitou a instalação do Ponto Eletrônico apenas para os “PAEPEs caramelo”, o que será mais uma ferramenta de assédio, controle e punição para nossa categoria. Apesar do cenário econômico mais que favorável, o atual reitor decidiu fazer caixa às custas do nosso suor e dedicação: entregou arrocho salarial, mostrou falta de vontade política para promover a lendária isonomia com a USP, e não reconheceu o papel dos servidores aposentados, deixando de cumprir com a maior parte de seu programa. Apenas no final da gestão, buscando capitalizar a candidatura de seu chefe de gabinete, Cesinha, e sob crescente indignação e pressão da organização dos(as) trabalhadores(as), apresentou uma politica compensatória de auxílios e benefícios, insuficiente para repor as perdas salariais dos últimos anos: ficamos sem abono e sem isonomia, e acumulamos mais de 22 salários perdidos desde 2012, enquanto a Unicamp soma mais de R$ 1,6 bilhão de reserva. Além disso, vale lembrar a maneira desastrosa como a Prefeitura Universitária vem conduzindo a questão dos fretados, além da forma corporativista como vêm sendo tratadas as crescentes denúncias de assédio moral pela Reitoria que, neste caso, ignora os princípios e prazos estabelecidos no TAC assinado junto ao MP. Por isso, a possível continuidade destas politicas na próxima gestão da reitoria significa uma derrota histórica para o STU!

BREVE BALANÇO SOBRE O STU

A gestão da diretoria do Sindicato está chegando ao fim, infelizmente sem ter conseguido implantar ações para reaproximação com a categoria e ampliação da mobilização da base. Para o Travessia, isso ocorre porque optou-se por um modelo de “sindicato de resultados”, em detrimento de um “sindicato de luta”, fruto do posicionamento político dos dois grupos majoritários na direção do STU (Alerta e Avante, os mesmos grupos que apoiam a candidatura de Cesinha). Um exemplo claro deste “sindicalismo de resultados” foi a condução greve do Ponto Eletrônico em 2023: numa mobilização que não envolvia pautas financeiras, a corrente majoritária, aliada a setores orquestrados pela direção do IFCH e ADunicamp, preferiu se submeter a uma “proposta menos pior” de acordo sobre o PE, minando a greve até que ela fosse encerrada – o Travessia foi o único coletivo do STU a defender o fortalecimento da mobilização pela base, entendendo que o debate sobre o PE não diz respeito ao “controle de frequência”, mas sim envolve a discussão sobre o modelo de universidade que queremos e a necessidade de medidas para a democratização da Unicamp. Defendemos um sindicato autônomo e verdadeiramente independente da reitoria, proporcional, filiado à Fasubra, assim como um novo modelo de universidade que respeite todos os segmentos e que garanta os direitos e conquistas dos servidores. Em síntese, temos como propostas centrais: organizar um Conselho de Representantes forte e combativo; ampliar as estratégias de ação do STU em todos os campi; organizar a luta dos trabalhadores(as) contra todas as formas de opressão, incorporando as propostas aprovadas na assembleia que apurou as denúncias de assédio ocorridas dentro da entidade, criando um regimento mais rígido para o Sindicato; e reorganizar e fortalecer as coordenações do STU.

MUDANÇAS ESTATUTÁRIAS

O Estatuto de nossa entidade precisa ser adequado à nova realidade da classe trabalhadora. Entre nossas propostas, destacam-se:

  • Artigo 19, § 2 – No caso das alíneas G e H, exigir deliberação de Assembleia convocada especialmente para esse fim, cuja decisão se dará por maioria simples dos associados presentes e com condições de voto;
  • Artigo 37 – reorganização das coordenações do STU;
  • Artigo 48, § 2 – alterar a quota de participação feminina nas chapas de 30% para 50%
  • Artigos 49 e 50 – Diminuir o prazo de filiação para candidatura ao STU de 6 para 3 meses, e o prazo para sócio impugnar candidaturas de 3 para 2 meses;
  • Artigo 74 – suprimir e substituir: desligamento imediato de diretor(a) em exercício que assumir cargo de confiança na Reitoria;
  • Diretores(as) denunciados(as) por atos de assédio moral e sexual, racismo ou xenofobia deverão ser submetidos(as) à Comissão de Ética, podendo acarretar perda do mandato e expulsão do Sindicato.
  • Incluir como disposição transitória: A Dissolução do STU só poderá ocorrer através de Congresso Extraordinário, convocado exclusivamente para este fim, com decisão de 2/3 de seus delegados(as).

Assinam este Resumo os diretores do STU, que compõem o coletivo Travessia:

Beto Roldan (IA)

Bianca Zupirolli (IB – Direção Nacional da Fasubra)

Jéssica Vega (Aposentada/DEDIC)

Juliana Oshima Franco (SEC)

Maria Edith Almeida (Caism)

Marli Armelin (DEDIC)

Rafael Cabelo (DETIC)

Sandra Ramos (Aposentada/CDC)

Toninho Alves (PRG)

Vicente Estevam (FE)

E também: Ângelo Barreto (IFGW), ex-diretor do STU, e todos os companheiros e companheiras que constroem o Travessia Unicamp.